Ainda sinto o Kümmel de
seus lábios
O cheiro do seu corpo e a sonoridade de sua voz,
O cheiro do seu corpo e a sonoridade de sua voz,
Longe dos teus sedosos macios
cabelos cor tabaco
Assim me encontro ermo em
meio ao aglomerado,
A tristeza consome as
minhas entranhas encefálicas
E os resquícios que
sobram, a solidão o fazem lembrar-se de você,
Dentro do meu peito a
mais vil das quimeras urra com sua cólera
Sedenta de algo que os
vermes sociais ainda não corromperam,
Sinto minha alma
entorpecida, embriagada pelo furor
A ira e o ódio se
deleitam do banquete que encontram em minha mente,
Eu vejo e não consigo
enxergar você, eu vejo você, mas você não me vê
Sinto que apenas teu sussurro acalmará as dúvidas
delirantes do meu âmago,
Pessoas me seguem e são atraídas
pela quimera; onomat int in my mind
Ela lhes faz promessas em
troca delas tomarem de mim, o único bem que ainda tenho,
Dentro do meu coração, eu
guardei o único sentimento que segura minha sanidade intacta
O amor que eu sinto por
você é a minha interioridade celestial,
É a única coisa dentro
desse agreste sombrio
Que me corre nas veias e
ainda me faz respirar,
Isso que sinto transforma
destino e ergue caminho pra gente trilhar
Tudo que está aqui dentro
se encontra sedento para respirar,
Pena que nesse mundinho não
há janelas nem portas abertas pra se escapar
O mundinho fechado! enclausurado
que mantém essas bestas a me atormentar,
Eu às vezes te vejo às
vezes te beijo às vezes te odeio de tanto de amar
Pois tu és; meu porto seguro
meu salvo-conduto, neste imundo mundo aonde aqui, eu vim parar.
Igor Alexandre B.
Graciano Borges
7 comentários:
Igor, realmente um texto que Álvares de Azevedo e Augusto dos Anjos iam adorar. A estética salta despretenciosa, mas no fundo compromete o ritmo, mas para esse tipo de poesia essa quebra de versificação não causa tantos danos. Um vocabulário requintado e diferente. As imagens usadas foram interessantemente colocadas. A poética, não se pode negar, foi muito boa. A estilística adotada é rara de se ver. Bom texto!
Você conseguiu, bem ao seu estilo, passar o mais puro dos sentimentos. Uma leitura densa, vocabulário só seu. Fantástico jogo que você fez com sentimentos antagônicos. Parabéns pela beleza da forma e do conteúdo.
Me parece necessário fazer uma ressalva em meu comentário já feito: Seu texto, naturalmente, causa uma indisposição de leitura, isto é, trata um tema que de tão concreto, chega a ser abstrato, e pouco inteligível para muitos. Como a crítica deve levar em conta o que a maioria pensaria do texto, é certo comentar: é um texto difícil, que pouco chama a atenção. Mas na minha crítica pessoal o texto não ficou devendo nada aos grandes escritores. A sensibilidade em mostrar o amor por meio das quimeras e utilizar um estilo bem pessoal deixaram seu texto, como pode-se dizer, tocante. Espero que nossas trocas de críticas e análises das composições renda bons frutos literários.
Pô, tem uma superfície densa, tensa... Digamos que uma carapaça constituída para conviver com calamidades sentimentais, espirituais, sociais... Mas a essência, o que importa, é bem sensível. O sentimento de rejeição, uma temática comum, foi trabalhado de forma original e muito interessante. Ah, e quando se trata de amor é impossível evitar que se torne nítido, bem simples depois de muita complexidade, como se vê no 16º verso juntamente com a penúltima estrofe.
Realmete poema de árduo entendimento, porém aquele que tem o dom da sensibilidade poetica há de perceber o quão lindo é.
Confesso que não consegui entender algumas partes do seu texto...Kummel nunca visto,mas isso é bom, bom porque o conhecimento de novas palavras é preciso para lermos bem qualquer texto.Suas palavras são fortes e tocantes, seu estilo é ousado e impactante com um toque também sensível... Gostei muito...Parabéns...
Então, pessoal muito obrigado por terem comentado na minha obra eu queria escreve não tão rebuscado, porém, foi mais forte que eu. O legal desse poema é que eu pensei nas aliterações de forma direcionada as formas antagonistas, já no próprio título eu usei uma doença tão tenebrosa pra mostrar os contra tempos do segmento do bem e ou não que o amor faz a alma do indivíduo. A sensibilidade poética é meio moderada, pois, tentei me ater a uma linearidade do conteúdo, e não muito com rimas, nem algo já pré-definido, mas fico interessante. Então o Kümmel é uma palavra Alemã, que usei com a intenção de direcionar ao sabor literalmente, pois, é um ingrediente que serve para incrementar sabores tanto em bebidas fortes quanto comida, no caso aqui é o saber ímpar dos lábios da pessoa amada. O mais legal é o antagonismo, direcionando pra melancolia que no início parece ser o principal sentimento, porém, no final fica claro que era a quantidade de amor que estava provocando isso na alma da pessoa, fico interessante. Pessoal, estou grato pelos comentários, muito obrigado por tudo e sucesso a todos.
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