quarta-feira, 20 de junho de 2012

Esquizofrenia do Amor


Ainda sinto o Kümmel de seus lábios
O cheiro do seu corpo e a sonoridade de sua voz,
Longe dos teus sedosos macios cabelos cor tabaco
Assim me encontro ermo em meio ao aglomerado,

A tristeza consome as minhas entranhas encefálicas
E os resquícios que sobram, a solidão o fazem lembrar-se de você,
Dentro do meu peito a mais vil das quimeras urra com sua cólera
Sedenta de algo que os vermes sociais ainda não corromperam,

Sinto minha alma entorpecida, embriagada pelo furor
A ira e o ódio se deleitam do banquete que encontram em minha mente,
Eu vejo e não consigo enxergar você, eu vejo você, mas você não me vê
 Sinto que apenas teu sussurro acalmará as dúvidas delirantes do meu âmago,

Pessoas me seguem e são atraídas pela quimera; onomat int in my mind
Ela lhes faz promessas em troca delas tomarem de mim, o único bem que ainda tenho,
Dentro do meu coração, eu guardei o único sentimento que segura minha sanidade intacta
O amor que eu sinto por você é a minha interioridade celestial,

É a única coisa dentro desse agreste sombrio
Que me corre nas veias e ainda me faz respirar,
Isso que sinto transforma destino e ergue caminho pra gente trilhar
Tudo que está aqui dentro se encontra sedento para respirar,

Pena que nesse mundinho não há janelas nem portas abertas pra se escapar
O mundinho fechado! enclausurado que mantém essas bestas a me atormentar,
Eu às vezes te vejo às vezes te beijo às vezes te odeio de tanto de amar
Pois tu és; meu porto seguro meu salvo-conduto, neste imundo mundo aonde aqui, eu vim parar.

Igor Alexandre B. Graciano Borges

7 comentários:

MEUS ARTIGOS disse...

Igor, realmente um texto que Álvares de Azevedo e Augusto dos Anjos iam adorar. A estética salta despretenciosa, mas no fundo compromete o ritmo, mas para esse tipo de poesia essa quebra de versificação não causa tantos danos. Um vocabulário requintado e diferente. As imagens usadas foram interessantemente colocadas. A poética, não se pode negar, foi muito boa. A estilística adotada é rara de se ver. Bom texto!

Rosangela disse...

Você conseguiu, bem ao seu estilo, passar o mais puro dos sentimentos. Uma leitura densa, vocabulário só seu. Fantástico jogo que você fez com sentimentos antagônicos. Parabéns pela beleza da forma e do conteúdo.

MEUS ARTIGOS disse...

Me parece necessário fazer uma ressalva em meu comentário já feito: Seu texto, naturalmente, causa uma indisposição de leitura, isto é, trata um tema que de tão concreto, chega a ser abstrato, e pouco inteligível para muitos. Como a crítica deve levar em conta o que a maioria pensaria do texto, é certo comentar: é um texto difícil, que pouco chama a atenção. Mas na minha crítica pessoal o texto não ficou devendo nada aos grandes escritores. A sensibilidade em mostrar o amor por meio das quimeras e utilizar um estilo bem pessoal deixaram seu texto, como pode-se dizer, tocante. Espero que nossas trocas de críticas e análises das composições renda bons frutos literários.

Wesley Rezende disse...

Pô, tem uma superfície densa, tensa... Digamos que uma carapaça constituída para conviver com calamidades sentimentais, espirituais, sociais... Mas a essência, o que importa, é bem sensível. O sentimento de rejeição, uma temática comum, foi trabalhado de forma original e muito interessante. Ah, e quando se trata de amor é impossível evitar que se torne nítido, bem simples depois de muita complexidade, como se vê no 16º verso juntamente com a penúltima estrofe.

Gleicy Dias disse...

Realmete poema de árduo entendimento, porém aquele que tem o dom da sensibilidade poetica há de perceber o quão lindo é.

Anônimo disse...

Confesso que não consegui entender algumas partes do seu texto...Kummel nunca visto,mas isso é bom, bom porque o conhecimento de novas palavras é preciso para lermos bem qualquer texto.Suas palavras são fortes e tocantes, seu estilo é ousado e impactante com um toque também sensível... Gostei muito...Parabéns...

Literamusic Anormal disse...

Então, pessoal muito obrigado por terem comentado na minha obra eu queria escreve não tão rebuscado, porém, foi mais forte que eu. O legal desse poema é que eu pensei nas aliterações de forma direcionada as formas antagonistas, já no próprio título eu usei uma doença tão tenebrosa pra mostrar os contra tempos do segmento do bem e ou não que o amor faz a alma do indivíduo. A sensibilidade poética é meio moderada, pois, tentei me ater a uma linearidade do conteúdo, e não muito com rimas, nem algo já pré-definido, mas fico interessante. Então o Kümmel é uma palavra Alemã, que usei com a intenção de direcionar ao sabor literalmente, pois, é um ingrediente que serve para incrementar sabores tanto em bebidas fortes quanto comida, no caso aqui é o saber ímpar dos lábios da pessoa amada. O mais legal é o antagonismo, direcionando pra melancolia que no início parece ser o principal sentimento, porém, no final fica claro que era a quantidade de amor que estava provocando isso na alma da pessoa, fico interessante. Pessoal, estou grato pelos comentários, muito obrigado por tudo e sucesso a todos.

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