sábado, 30 de junho de 2012


Galera,

Parece que iniciamos bem, né?  Muito legal o envolvimento e a animação. Acredito que iremos contagiar mais alguns, agora e no início dos próximos anos letivos – com a chegada dos novos ingressantes.

Por hora, o que podemos perceber é a predominância do tema “amor”. E não é de se estranhar, o amor é motivador da poesia desde os primórdios.

Na formação da literatura portuguesa, transcrevo “A Ribeirinha”, de Paio Soares de Taveirós, quem sabe o texto literário mais antigo da nossa língua.

No mundo non me sei parelha,
mentre me for como me vai,
ca já moiro por vós – e ai!
mia senhor branca e vermelha,
queredes que vos retraia
quando vos eu vi en saia!
Mau dia me levantei
que vos enton non vi fea!

E, mia senhor, des aquel dia’, ai!
me foi a mi mui mal,
e vós, filha de don Paai
Moniz, e ben vos semelha
d’haver eu por vós guarvaia,
pois eu, mia senhor, d’alfaia
nunca de vós houve nen hei
valia d’ũa correa.

E no barroco brasileiro, um texto de Gregório de Matos: Quis o poeta embarcar-se para a cidade e antecipando a notícia à sua senhora, lhe viu umas derretidas mostras de sentimento em verdadeiras lágrimas de amor.

Ardor em coração firme nascido!
Pranto por belos olhos derramado!
Incêndio em mares de água disfarçado!
Rio de neve em fogo convertido!

Tu, que um peito abrasas escondido,
Tu, que em um rosto corres desatado,
Quando fogo em cristais aprisionado,
Quando cristal em chamas derretido.

Se és fogo como passas brandamente?
Se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai! que andou Amor em ti prudente.

Pois para temperar a tirania,
Como quis, que aqui fosse a neve ardente,
Permitiu, parecesse a chama fria.

Certo, o amor é o principal; é a coisa mais importante da vida. Mas ninguém vive somente de amor, nem a literatura! Então, a proposta é evitá-lo (o tema “amor”) para estimularmos o trabalho poético mediante depreciação da sentimentalidade. No entanto, continuamos com liberdade quanto à escolha do gênero literário.

domingo, 24 de junho de 2012

Estranho



Coisas esquisitas chamam a atenção
Chamas desta vida pertubam o coração
Amor assustado correndo no pavilhão
Garoto mal amado atrás duma paixão

Sozinho nesse mundo sem ninguém amar
Calado no canto refugiado a pensar
Com caneta e papel algo há de começar
Cabisbaixo e sério amor tende a se aquietar

Amor assustado, estranho não quer ser
Com seus poemas agindo sem perceber.                     
Esperando a donzela, que há de aparecer
Sua espera é longa, o jeito é escrever.


Gleicy Dias

Olhos castanhos

Com aquele olhar singelo, como de quem não quer nada
A culpa foi dos teus olhos, me encontro apaixonada.
Um jeito deslumbrante, teus gestos, teus sorrisos
Se me tocas, quase perco o equilíbrio.
Como pude permitir chegar a tanto...
De uma forma fascinante, me rendi aos teus encantos.
Agora já é tarde...
Ao teu lado sinto-me completa, porém covarde
Percebo uma certa indecisão em tuas ações,
Momentos me abraças com ternura, noutros com ingratidão,
O que tu sentis, me digas, demonstre-me, pois já está fraco esse meu pobre coração.
Então a covardia invade meu ser, medo de questionar,
Receio do que vais responder.
Quando não o vejo, sinto uma imensa solidão
Como pode, sentir-se só em meio a multidão?
Só então, entendo, foi sem perceber, não pude intervir
Me encontro aprisionada, presa a ti.
Um sentimento tão intenso, que não exige nada em troca
Há momentos em que me abandonas, de repente vem com esse teu jeito e me provocas
Ah! Menino dos olhos castanhos, maldita foi a hora que por ti me apaixonei
Tenho a certeza, admito, eu errei.
Agora, somente agora minha alma chora, isso me causa tamanho remorso
Ah! Menino dos olhos castanhos, a culpa foi dos teus olhos...

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Recordações

Eu vi no mais profundo dos meus sentimentos.
Há eu vi, você que docemente me amou.
A minha vontade foi de rasgar meu coração.
Quando na minha mais triste realidade, voçê não estava.

Então o que me restou foram lágrimas, lágrimas.
E no grande desejo de te encontrar.
Corri deseperadamente ao teu encontro.

Triste decepção descobri que tinhas partido.
Levando contigo um grande amor.
Que jamais, jamais será esqueçido.

No meu quarto sinto a brisa do vento.
Que suavemente passa em meu rosto.
Me lembro de voçê, que para mim era a mais bela.

Assim como o vento, tinha a suavidade.
Assim como a flor, tinha um exalante perfume.
Não sei se de rosas ou de jasmim.
Só sei que te amava.

Derlange Ataides




quarta-feira, 20 de junho de 2012

Esquizofrenia do Amor


Ainda sinto o Kümmel de seus lábios
O cheiro do seu corpo e a sonoridade de sua voz,
Longe dos teus sedosos macios cabelos cor tabaco
Assim me encontro ermo em meio ao aglomerado,

A tristeza consome as minhas entranhas encefálicas
E os resquícios que sobram, a solidão o fazem lembrar-se de você,
Dentro do meu peito a mais vil das quimeras urra com sua cólera
Sedenta de algo que os vermes sociais ainda não corromperam,

Sinto minha alma entorpecida, embriagada pelo furor
A ira e o ódio se deleitam do banquete que encontram em minha mente,
Eu vejo e não consigo enxergar você, eu vejo você, mas você não me vê
 Sinto que apenas teu sussurro acalmará as dúvidas delirantes do meu âmago,

Pessoas me seguem e são atraídas pela quimera; onomat int in my mind
Ela lhes faz promessas em troca delas tomarem de mim, o único bem que ainda tenho,
Dentro do meu coração, eu guardei o único sentimento que segura minha sanidade intacta
O amor que eu sinto por você é a minha interioridade celestial,

É a única coisa dentro desse agreste sombrio
Que me corre nas veias e ainda me faz respirar,
Isso que sinto transforma destino e ergue caminho pra gente trilhar
Tudo que está aqui dentro se encontra sedento para respirar,

Pena que nesse mundinho não há janelas nem portas abertas pra se escapar
O mundinho fechado! enclausurado que mantém essas bestas a me atormentar,
Eu às vezes te vejo às vezes te beijo às vezes te odeio de tanto de amar
Pois tu és; meu porto seguro meu salvo-conduto, neste imundo mundo aonde aqui, eu vim parar.

Igor Alexandre B. Graciano Borges

terça-feira, 19 de junho de 2012

Meu Botão de FLor

Tudo na vida tem uma razão.
E  ter te conhecido tirou-me da solidão...
Me tiraste da solidão, e me fizeste voltar a sorrir
Não dá pra definir o que seria da minha alma sem ti.
O seu jeito faz-me sorrir, faz-me esquecer tudo o que faz-me chorar
Só tu entendes o meu olhar.
Só tu desfaz o que me incomoda.
No dia que nasceste no meu jardim, trouxeste vida.
As outras flores curvaram-se aos teus pés
O sol até brilha mais alegre destacando-te
Meu lindo botão de flor,
O mais meigo do meu jardim
Se um dia eu não existir
Cante essa canção por mim.
Talita Silva Gomes

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Piquiletras

O bom é ser criança
brincar de pique-pega
de pique-esconde

E depois de se cansar
comer e ser amigo
na intimidade de um
piquenique

O bom é ser goiano
Querer Anápolis
Quirinópolis

É bom não ter espinho
poder morder o pequi
sem ter medo de ferir

Mas o bom é escrever
brincar com as letras
somar pique e pequi
e formar píqui

E do qui de Quiri
num texto produzir caqui
E se lambuzar de caqui
e de texto daqui

daqui da brincadeira
das brincadeiras de
piquiletras

(Wesley Rezende)