Galera,
Parece que iniciamos bem, né? Muito legal o envolvimento e a animação.
Acredito que iremos contagiar mais alguns, agora e no início dos próximos anos
letivos – com a chegada dos novos ingressantes.
Por hora, o que podemos perceber é a predominância
do tema “amor”. E não é de se estranhar, o amor é motivador da poesia desde os
primórdios.
Na formação da literatura portuguesa, transcrevo “A
Ribeirinha”, de Paio Soares de Taveirós, quem sabe o texto literário mais
antigo da nossa língua.
No mundo non
me sei parelha,
mentre me for
como me vai,
ca já moiro
por vós – e ai!
mia senhor
branca e vermelha,
queredes que
vos retraia
quando vos eu
vi en saia!
Mau dia me
levantei
que vos enton
non vi fea!
E, mia
senhor, des aquel dia’, ai!
me foi a mi
mui mal,
e vós, filha
de don Paai
Moniz, e ben
vos semelha
d’haver eu
por vós guarvaia,
pois eu, mia
senhor, d’alfaia
nunca de vós
houve nen hei
valia d’ũa
correa.
E no barroco brasileiro, um texto de Gregório de
Matos: Quis o poeta embarcar-se para a
cidade e antecipando a notícia à sua senhora, lhe viu umas derretidas mostras
de sentimento em verdadeiras lágrimas de amor.
Ardor em coração firme nascido!
Pranto por belos olhos derramado!
Incêndio em mares de água disfarçado!
Rio de neve em fogo convertido!
Tu, que um peito abrasas escondido,
Tu, que em um rosto corres desatado,
Quando fogo em cristais aprisionado,
Quando cristal em chamas derretido.
Se és fogo como passas brandamente?
Se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai! que andou Amor em ti prudente.
Pois para temperar a tirania,
Como quis, que aqui fosse a neve ardente,
Permitiu, parecesse a chama fria.
Pranto por belos olhos derramado!
Incêndio em mares de água disfarçado!
Rio de neve em fogo convertido!
Tu, que um peito abrasas escondido,
Tu, que em um rosto corres desatado,
Quando fogo em cristais aprisionado,
Quando cristal em chamas derretido.
Se és fogo como passas brandamente?
Se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai! que andou Amor em ti prudente.
Pois para temperar a tirania,
Como quis, que aqui fosse a neve ardente,
Permitiu, parecesse a chama fria.
Certo, o amor é o principal; é a coisa mais
importante da vida. Mas ninguém vive somente de amor, nem a literatura! Então, a
proposta é evitá-lo (o tema “amor”) para estimularmos o trabalho poético
mediante depreciação da sentimentalidade. No entanto, continuamos com liberdade
quanto à escolha do gênero literário.