A máscara de pele
morta cobre meu rosto
tortuoso é o desgosto de viver na hipocrisia,
sinto o repudio consumindo minhas entranhas,
gotículas de chuva regadas com sangue escorrem
em meu rosto: funesto, imóvel, abominável!
tortuoso é o desgosto de viver na hipocrisia,
sinto o repudio consumindo minhas entranhas,
gotículas de chuva regadas com sangue escorrem
em meu rosto: funesto, imóvel, abominável!
O eterno beijo da
morte adorna meus lábios,
sinto o cheiro da putrefação em meu olfato
vejo meus sonhos sendo mortos por cada golpe outorgado,
Sentirei prazer em ouvir seus gritos, degustarei
lentamente do tutano de seus ossos e sangue
sinto o cheiro da putrefação em meu olfato
vejo meus sonhos sendo mortos por cada golpe outorgado,
Sentirei prazer em ouvir seus gritos, degustarei
lentamente do tutano de seus ossos e sangue
E de cada pedaço seu,
que a mim será cedido,
A máscara cria vida e
vida agora é a hipocrisia
De tanto usá-la comecei a senti-la viva,
não me sinto mais eu mesmo, me sinto ermo e me sinto
morno me sinto morto e consumido,
De tanto usá-la comecei a senti-la viva,
não me sinto mais eu mesmo, me sinto ermo e me sinto
morno me sinto morto e consumido,
A simbiose do que sou
e de quem nunca fui
agora é a mesma, meu ser foi assimilado pela anárquica beleza,
e a pele morta agora é viva em mim, sendo um só deste momento
até o meu decrépito fim,
agora é a mesma, meu ser foi assimilado pela anárquica beleza,
e a pele morta agora é viva em mim, sendo um só deste momento
até o meu decrépito fim,
A máscara de pele
morta esta me enclausurando,
enjaulando minha verdade face, contendo toda minha
sanidade, me tornando um escravo débil e um ser humano
mais feliz e aceitável.
enjaulando minha verdade face, contendo toda minha
sanidade, me tornando um escravo débil e um ser humano
mais feliz e aceitável.
2 comentários:
Igor,
Mas que texto prático, e bem escrito. Isso me lembra Álvares de Azevedo, vocês seriam grandes amigos.
Isso sim é poesia de valor, meu caro. Percebi uma sonoridade fantástica. A estética está excelente, não há problemas de sentido. De fato, um recurso, do qual me esqueci o nome, mas muito bem empregado em seu texto, consiste no seguinte, no momento da leitura ou declamação do poema, lê-se não o verso, mas o verso seguido do verso seguinte, sem pausas. Isso é fantástico.
Usou a figura de linguagem sinestesia muito bem. Emprega a narração numa poesia, o que poucos fazem. Seu compromisso com o leitor, de não se importar com ele, mas apenas escrever e compôr, te fazem um verdadeiro poeta. Muito bom!
Texto Extraordinário!
O eu lírico não consegue ser quem realmente ele é,sendo assim ele se esconde atrás de uma máscara que o torna bem vindo mas que não o faz bem e o sufoca.Seu texto mostra uma grande realidade observada nas pessoas contidas, orgulhosas e tímidas... que não conseguem por algum motivo ser quem realmente são e acabam se escondendo atrás de uma máscara que a impede de ser feliz..Seu texto ficou ótimo...muito bom mesmo..parabens
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