Há algum tempo, na terra dos bichos incríveis havia uma cigarra que passava o dia a cantarolar com sua viola. Fizesse sol ou fizesse chuva sempre dona cigarrinha estava com sua violinha debaixo dos braços tocando uma melodia bonita e cantando uma canção feliz. Ninguém negava que ela cantava muito bem. Como a própria dizia: "Cantar alegra a mim e a ti!"
Na mesma terra dos bichos havia ainda uma formiga muito laboriosa que passa o dia a trabalhar. Fizesse sol ou chuva sempre dona formiguinha estava com sua enxadinha na mão arranjando mantimentos para si e para sua família. Todos da vizinhança viam que ela era boa trabalhadeira. Como ela mesma dizia: "O trabalho é para todos porque a bem aventurança depende dele para ser de todos".
Aconteceu que numa bela manhã de primavera dona formiga estava apressada carregando dois gramas de folhas quando tropeçou numa pedra, bem perto de onde a cigarra cantora estava, e disse para a tranquila:
- Desse jeito folgado que estás indo, minha amiga, não chegas viva no inverno. Veja como está gorda, logo estarás um canudinho se não trabalhares para te sustentar na época do inverno.
A nobre cigarra retruca, faceira:
- Desse jeito afobado que está indo, minha amiga, não chegas viva nem no outono. Veja como está raquítica, logo estarás só o esqueletinho, e não gostaria de ser a cantora da tua música fúnebre, pois é minha vizinha.
E dona cigarra voltou a cantar e a formiga a trabalhar.
Chegou o verão. A formiga, séria em seus afazeres via o outono chegar e logo o inverno, e então poderia descansar em sua casinha, com mantimentos e fartura para muito tempo. A cigarra, indolente em sua cantoria via o outono chegar e logo o inverno, e então estaria frita, pois não angariara nada para se manter.
Aconteceu que, já chegado o primeiro mês do outono as folhas das árvores começaram a cair, e dona cigarra teve um sonho. Um sonho que de tão maligno, a deixou preocupada. Sonhara que morreria de fome e frio no inverno. E na mesma noite a formiguinha também sonhou um sonho terrível. Teve pesadelos de que nunca se esqueceria: ela teria de passar todo o inverno comendo e só, porque não sabia fazer mais nada além de trabalhar, e no inverno ela não trabalharia.
No segundo mês do outono lá foi a cigarra aloprada com sua violinha visitar a formiga, mas teve de andar muito, pois durante o dia a formiguinha estava trabalhando. Achou a trabalhadora, e como esta não podia parar os afazeres, ia atendendo a cigarra enquanto laborava.
- Senhora formiga, disse franzinho a sobrancelha, toda desconfiada, estou muito vagabunda!
- Não me admira! Preguiçosa como és!, disse, sem medo.
- Preciso trabalhar. O que fazer?
- Pois trabalhe, disse a formiga galhofando da cigarra, imaginando que a coitada estivesse surtando.
- Mas como minha amiga? O inverno vem chegando, e eu estive pensando melhor esses dias. O que estou fazendo da e na minha vida? Cantando, cantando. Não trabalho, não me preparo para o inverno. Vendo você todos os dias trabalhando, percebi que a vida é muito além de descanso e vagabundice.
- Pois está muito bem. Para você não dizer que sou um mau inseto, vou te ajudar. Você terá de fazer o que eu disser. Teremos de ter uma parceria. Eu te ajudo e você me ajuda. Quando chegar o inverno, daqui a dois meses, estaremos prontas e sem preocupações. Você topa?, perguntou a formiga lançando um olhar sério para a cigarra.
- Sim, eu topo. O que posso te dar em troca?
- Ensina-me a cantar!
- Feito!, responde a alegre cigarra, agora mais aliviada por não ter de passar fome nem frio no inverno.
No terceiro mês de outono a formiga e a cigarra se uniram para mudar suas vidas. Pela manhã e durante toda a tarde as duas trabalhavam. Os demais habitantes da vizinhança achavam curioso uma formiga trabalhando duro e logo atrás uma cigarra acompanhando a labuta da pobre criatura. Quando chegava a noite era hora de cantar. Dona cigarra importou da floresta ao lado uma linda violinha com cordas de bigode de tigre para a formiga.
Não demorou muito tempo e a cigarra percebeu que sabia trabalhar muito bem, e a formiga também tinha dom para a arte musical.
Na última semana do outono, quando o tempo já começou a esfriar a cigarra propôs:
- É, minha boa amiga. Obrigado pela ajuda que me deste.- e abraçou a formiga com um abraço tão forte que ambas se sentiram felizes.
- Foi um prazer. Agora poderei trabalhar cantando.
- E eu, menina! Agora vou cantar trabalhando.
E chegou o rigoroso inverno. A cigarra foi para a casa da formiga, as amigas agora se empanturravam de comidinhas deliciosas enquanto cantavam horas e horas a fio. A melodia era alta e agradava muita gente pela vizinhança dos bichos incríveis.
Tudo o que se ouviu naquele lindo inverno foi a felicidade da cigarra e da formiga, que varavam a noite sempre fazendo lindas e melódicas serestas.
MORAL DA HISTÓRIA: Um pouco de humildade para aprender e encontrando uma boa parceria pode-se conquistar muitas coisas.
Rodrigo dos Santos e Silva
2 comentários:
Fábula muito agradável de se ler,com uma história muito bonita,que mostra o quanto é importante ter humildade e espírito de equipe.
Rodrigo eu gostei muito da simplicidade que foi escrita sua obra, e outra coisa interessante é como voce coloca a conceituação do trabalho em conjunto; mistificando a importancia do mesmo, ótimo texto! você realmente é ótimo para escrever (reescrever e fazer releituras) de fábulas, meus parabens, não loborearei argumentos para o que não necessita disso, deixarei o leitores saborearem em conjunto a minha pessoal essa conceituação de que sem o núcleo central do texto, a vida no plano em que vivemos seria terrivel, pois, cada um de nos sempre precisaremos de alguém em algum momento de nossas vidas. Parabens e muito sucesso.
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